Por Helio Ranieri

Estrelando Marcelo Médici e Ricardo Rathsam, a peça é de comédia e consegue arrancar risadas do público quase que 100% do tempo, sendo facilmente considerada um sucesso no seu objetivo. Eu pessoalmente dei apenas 3 ou 4 risadas durante mais de uma hora de espectáculo. Eu poderia estar em algum estado desfavorável a rir, mas duvido que seja esse o caso. As piadas não são exatamente de baixo calão, mas não tem um grande nível também, podem ser classificadas como “algo que tem uma pretensão de ser inteligente, mas não atinge o ponto.” Devo admitir que o roteiro é criativo, tem um história elaborada, chega a perder a linha no final, tendo uma conclusão nonsense, que poderia ser engraçada, que sua surpresa realmente fosse impressionante. Mas não é.
Os dois atores tem performances boas, Ricardo tem um tom mais realista, e faz um personagem mais interiorizado e levemente complexo. Médici já puxa para sua veia de comediante e faz todos os outros personagens na peça, sempre com uma atuação escrachada e estereotipada para cada um. Sua versatilidade é o que deve ser elogiado. Em cena os dois atores conseguem ter uma química boa, a peça flui sem problemas.
Tecnicamente a peça é espectacular. O cenário é incrivelmente bem planejado, sendo uma estrutura única, que gira em seu eixo, e tendo 2 andares dando inúmeras possibilidades de cenário. Um bloco no meio, extremamente bem equipado, funciona como camarim de Médici, que conta com algum assistente lá dentro para auxiliado nas inúmeras trocas de personagens. A luz e a trilha que acompanham as mudanças também são bem sincronizadas e divertidas, dando até vontade que durassem mais.
Em conclusão é uma peça média, tecnicamente perfeita, que depende do nível cultural do espectador para ser classificada como engraçada ou não.

Peça realizada pela Oficina de Menestréis do Paulistano, Mansão Miss Jane segue a temática adolescente, porém é extremamente divertida. Com um clima estilo Rocky Horror Picture show, misturando comédia com um toque de horror sobrenatural em um musical com musicas originais e grandes performances de dança que utilizam quase o elenco inteiro, com excelente uniformidade e grande utilização de luz e efeitos sonoros para compor a cena. O enredo é fraco, mas o publico gosta: A história de uma mulher que vive numa casa mal-assombrada por todo o tipo de personagem da cultura pop, que tentam ajudar ela a reencontrar seu falecido marido. Pelo estilo baixo orçamento do projeto, percebe-se grande criatividade do diretor, Candé Brandão, que consegue fazer um excelente espetáculo para o publico alvo. Tem um clima leve e diverte, para quem não quer nada pesado, vale a visita.